Acidentes acontecem, e no trânsito as motocicletas são os pontos frágeis.em estudo realizado pela USP, estima-se que nos acidentes de transito com feridos, 90% são motociclistas, isso se dá pela vulnerabilidade da moto frente aos automóveis e caminhões.

Em geral, pela dinâmica do acidente, quase sempre uma colisão frontal ou lateral, o motociclista é arremessado, e sua superfície corpórea absorve toda a energia gerada no impacto, e neste sentido um acidente de moto frequentemente causa politraumatismos, com maior predomínio em extremidades como braços e pernas, além  de pescoço e cabeça.

Nos acidentes de alta energia, ou alta velocidade, em geral são necessárias intervenções cirúrgicas, realizadas em sua maioria por ortopedistas, ou neurocirurgiões, e as principais intervenções são: Membros superiores (braços), membros inferiores (pernas e pelve), além de reconstrução de face, e cirurgias no pescoço, tórax, abdômen, coluna vertebral.

Os tipos de lesão mais comuns são: fraturas, TCE (traumatismo crânio-encefálico), luxação, contusão, hematoma, afundamento, lacerações e lesões de plexo braquial.

A grande maioria dos acidentados são homens jovens, até 35 anos, ou seja, um publico que está em plena atividade produtiva, se fazendo necessária sua pronta reabilitação.

Grande parte dos motociclistas que passam por algum procedimento cirúrgico saem do hospital ainda com fixadores externos que servem para estabilização óssea, cada um com suas características próprias que determinam sua finalidade (fixadores externos circulares (ilizarov), modelo LRS, Procallus, Tubo-tubo). Além dos fixadores externos, são comuns a utilização de placas de titânio, parafusos, fios e pinos metálicos para fixação óssea.

A reabilitação irá variar de caso para caso, porém os cuidados são semelhantes.

No período de recuperação, que se inicia após a cirurgia, alguns cuidados são essenciais, principalmente cuidados com possíveis infecções, o cuidado com a pele ainda “aberta” é essencial, é primordial promover uma recuperação mais rápida e segura do tecido que protege as estruturas.

O edema (inchaços) causa muita dor, restringe o movimento e impede a passagem de nutrientes ao membro lesionado, é essencial sua redução, por meio da drenagem linfática manual, ou com a utilização do Kinesiotaping na forma de Linfotaping, que traz um ótimo resultado, no momento da aplicação e pelos dias seguintes em que a faixa elástica estiver sobre o membro, o melhor desta técnica, é que a drenagem segue sendo feita 24 horas por dia, enquanto o tapping estiver sobre a pele.

A manutenção das amplitudes de movimento são essenciais, após a  avaliação as articulações que puderem ser manuseadas devem ser, para evitar rigidez futura, sendo que no processo de cicatrização tecidual, a fibrose é necessária, mas seu excesso gera perda de movimento do tecido, e deve ser avaliada.

A eletroterapia deve ser utilizada das maneiras mais convenientes ao tratamento, para estimulo muscular com o objetivo de não permitir que o paciente tenha perda de massa muscular e que o tratamento se prolongue sem necessidade. Também pode ser utilizada para auxiliar o processo de cicatrização da pele, muscular e óssea. Além de ser coadjuvante na redução da dor, pois por vezes o paciente não consegue realizar os exercícios por limitação da dor.

Exercícios são necessários desde cedo, primeiro para a manutenção da capacidade dos membros que não foram afetados, e para manutenção e ganho de força do membro afetado. A contração muscular auxilia na redução do edema, e na fixação óssea, por isso é necessária desde o inicio, para que o tratamento não se prolongue além do necessário.

O tratamento deve ser iniciado o quanto antes ainda no hospital, e continuar até que haja a alta. Por vezes o deslocamento do paciente é dificultado por não haver adaptações na casa (corimão, escadas) e por falta de quem o possa levar até o consultório. Nestes casos a fisioterapia em casa (fisioterapia domiciliar / home care) tem fundamental importância, até que o paciente tenha condições de deslocar-se até o consultório.

O período de reabilitação depende de cada caso, sendo acelerada quanto mais cedo se inicia o atendimento fisioterapeutico.