Provavelmente um dos momentos mais difíceis na vida de uma pessoa será após um AVC / AVE (acidente vascular cerebral / acidente vascular encefálico). Acostumado a uma vida sem limitações, de liberdades e escolhas, este provavelmente terá de se adaptar a este momento muito diferente na sua vida.

Tão logo o AVC / AVE seja estabilizado pela equipe médica, observa-se uma série de restrições motoras e que limitam sua liberdade de locomoção, da confecção de sua alimentação de alimentar-se, além da sua higiene básica dentre outros.

inicia-se o processo de reabilitação /recuperação fisioterapêutica, podendo este ser feito na modalidade de fisioterapia domiciliar (fisioterapia em casa / fisioterapia home care) ou numa clínica ou consultório.

O ponto a ser discutido hoje é a respeito de como o paciente encara este momento.

Coloque-se você, familiar, no lugar de um paciente. Até então, você é independente para as coisas mais simples e mais complexas da sua vida, desde caminhar, escolher a compra de seus alimentos, qual roupa usará, onde irá, em qual horário irá,até as atividades mais simples, como pentear seu cabelo, escovar seus dentes, ir ao banheiro sozinho.

Sem dúvidas a auto estima de um paciente pós AVC / AVE tem de ser muito trabalhada, colocar-se no lugar dele é um exercício fundamental para compreendermos a abordagem necessária, pois diversas atitudes poderão ser notadas.

Ansiedade: Somos imediatistas, e isso é uma característica nossa, após perdermos nossa liberdade, queremos restaura-la de imediato, o quanto antes, e poder sair para a nossa vida normal, porém, cada caso é um caso, e a extensão da lesão só pode ser percebida ao longo do tempo, com avaliações diárias, e conforme fatores como idade, alimentação, praticas desportivas, hábitos de vida somados ao tamanho da lesão, temos uma perspectiva do quão rápido o paciente poderá voltar a suas atividades, ainda que com adaptações.

É comum acontecer um desânimo, e junto dela vir uma negativa do tratamento, onde o paciente apenas quer ficar deitado, ou repousando, abre mão do convívio social de amigos e familiares, e deseja apenas ficar “quieto”. o período pós AVC / AVE pode vir acompanhado além das limitações, de dores, e tonturas, decorrentes das mudanças e adaptações ocorridas no fluxo sanguíneo de seu cérebro e alterações do sistema vestibular além de sensitivas e motoras.

Então o tratamento pode ser sim desconfortável no início. Neste momento se torna imprescindível o apoio da família, incentivando o paciente a prosseguir no tratamento, pois somente por meio deste a reabilitação ocorrerá, e a melhora do paciente varia muito de acordo com sua adesão, pacientes motivados, que aderem ao tratamento de forma espontânea ou que são aconselhados por sua família a aderir, tem um resultado muito melhor do que aqueles que realizam o tratamento sem o desejo de tratar-se.

O tratamento realizado pela fisioterapia neurológica tem de ser intenso, se possível diário. Quanto mais estímulos o paciente recebe logo após o AVC, melhor seu prognóstico, antecipada sua reabilitação e maior a qualidade e quantidade de movimentos.

Muito positiva pode ser a inclusão de um profissional de psicologia ao tratamento, pois este tem as ferramentas corretas para motivar / incentivar e esclarecer aos familiares e ao paciente as dificuldades do momento, e a importância de persistir.

O tratamento é eficaz, quanto antes melhor, e a vida de modo algum acaba num AVC. Melhor tratar-se um, dois, três anos e viver mais dez anos com qualidade, a deixar a vida passar numa cama. Reflita, coloque-se no lugar do paciente, não o abandone, quem tanto te amou merece uma vida plena para sempre.