Bateu? torceu? doeu? é comum sermos os autores de algumas vídeo cacetadas de vez em quando, ninguém está livre de um escorregão, um tropeço, uma queda e por ai vai. O que podemos fazer após esse evento é o que nos interessa e vamos lá.

Aqui falaremos sobre um protocolo simples, porém muito eficaz, utilizado imediatamente por nós fisioterapeutas assim que nos deparamos com qualquer lesão que esteja aguda, ou seja, acabou de acontecer, ou acabou de manifestar a dor. O protocolo PRICE super famoso agora evoluiu para o POLICE, e está um pouco mais completo.

O protocolo PRICE (Protection, Rest, Ice, Compression, Elevation) que traduzindo fica: Proteção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação foi atualizado depois de diversas evidências científicas para o protocolo POLICE (Protection, Optimal Loading, Ice, Compression, Elevation) traduzindo: Proteção, Carga otimizada, Gelo, Compressão, Elevação.

A grande mudança está na retirada do repouso e inclusão da carga otimizada, pois estudos demonstraram que o movimento, por meio de mobilizações passivas leves, pequenas descargas de peso e contrações isométricas produzem uma reabilitação mais rápida, como já testado em diversos clubes de futebol e noutros esportes pelo mundo.

Em que casos uso? Podemos utiliza-lo para lesões agudas pequenas, ou como uma forma imediata de socorro. No caso de entorse de tornozelo, torções de joelho, “fisgadas”, dores musculares, contusões e como um socorro imediato no caso de ruptura de tendões ou ligamentos, como LCA (ligamento cruzado anterior), tendão calcâneo, onde a correção é cirúrgica, mas pode ser feito o protocolo como forma de minimizar os danos até que se possa ir ao hospital, e nestes casos não haverá a carga ótima feita pelo fisioterapeuta até que se tenha ideia do tamanho da lesão e se é ou não cirúrgica.

Mas…. para dores leves do dia a dia serve muito bem, e vamos ao passo a passo.

Proteção nada mais é do que uma tala, tipoia, uma órtese, uma muleta caso seja o tornozelo, para que a pessoa não pise sobre o membro lesionado, não movimente ela neste primeiro momento.

Carga Otimizada esta parte é feita pelo fisioterapeuta, que irá avaliar o tamanho da lesão, o tipo, se há edema (inchaço), se há ruptura de vasos sanguíneos, calor local dentre outros. Após avaliar, este tomará sua conduta, que pode variar de mobilizações passivas, exercícios isométricos, e até exercícios ativos com elastômeros e descargas parciais de peso, a depender do tamanho da lesão, sua localização e intensidade. A mobilização precoce tem por objetivo aumentar a drenagem do edema, manter os neuro receptores ativos, evitar aderências e fibroses.

Gelo importantíssimo sua utilização, pode ser aplicado por cima da lesão na forma de uma bolsa (o ideal seria gelo picado, e não em cubos, para que se possa ter maior contato com a área) ou utilizar gelo dentro de um balde com água (ideal para entorse de tornozelo) tempo de 10 a 14 minutos, com o objetivo de analgesia (redução da dor) controle do processo inflamatório e vasoconstrição, para drenar o inchaço local e não permitir maior acumulo de liquido.

Compressão: seria por meio de uma faixa elástica ou inelástica, neste momento é importante saber graduar a pressão, pois não queremos que ela fique muito aperada e forme um “garrote” e nem muito frouxa a ponto de ser ineficiente. o melhor seria graduar a pressão sendo maior na extremidade e menor pressão quanto mais proximal no intuito de auxiliar a drenagem do membro.

Elevação: também com o intuito de facilitar a drenagem, deve ser feita de maneira confortável, com o membro esticado, e apoiado sobre algo macio, como travesseiros. O edema causa dor, por conta da rigidez que causa no local da lesão, não permitindo o movimento, e dificultando a passagem de nutrientes que acelerarão a cicatrização e dificultando retirada de toxinas do local, porisso o controle do edema é super importante.

A utilização deste protocolo é útil a qualquer lesão aguda, porém um profissional que possa graduar a lesão e acompanhar o tratamento é fundamental. O processo de reabilitação vai muito além disso, são dezenas de técnicas fisioterapêuticas utilizadas para drenagem, reconstrução de tecidos, fortalecimento muscular, ativação de neuroreceptores e mecanoreceptores, propriocepção e preparo para a volta ao esporte ou às atividades diárias.

O tratamento varia de acordo com a lesão, porém uma vez feito evita recidivas, que é o exemplo do atleta que tem entorses frequentes de tornozelo. A fisioterapia pode ser realizada de diversas formas, fisioterapia em casa ( fisioterapia domiciliar / fisioterapia home care), clinica de fisioterapia, consultório de fisioterapia, e este profissional saberá lhe guiar durante sua reabilitação.

Outras aplicações da fisioterapia

Fisioterapia neurológica, que reabilita em casos de AVC / AVE (acidente vascular cerebral/ acidente vascular encefálico (derrame)) lesões medulares, TCE (traumatismo crânio encefálico), TRM (traumatismo raquimedular), Paralisia Facial, paralisia cerebral, doença de Parkinson, esclerose múltipla, ELA (esclerose lateral amiotrófica), hidrocefalia, síndrome guillain-barré, hipertonia, e hipotonia, hiper-reflexia  e hipo-reflexia, arreflexia, lesões no sistema nervoso central e periférico, como lesões de nervos periféricos.

Fisioterapia ortopédica foca na prevenção e recuperação de lesões que englobam ossos, muculos, ligamentos, articulações e suas conexões. Os casos mais comuns são: LER / DORT (lesão por esforço repetitivo /doença osteo muscular relacionado ao trabalho), luxação de ombro, ombro congelado, tendinite, bursite, em ombros, lesões de menisco, LCA (ligamento cruzado anterior) LCP (ligamento cruzado posterior)e linimentares de joelho, como ligamento colateral medial e ligamento colateral lateral, instabilidade femoro-patelar de joelho, condromalacia patelar, artrose, tendinite patelar, entorse de tornozelo, ruptura de ligamento de tornozelo.

Dores e desvios da coluna cervical (torcicolo), torácica, lombar (lombalgia), sacral e coccígea, escoliose, hérnias de disco, compressões de nervo ciático (ciatalgia). Reabilitação de acidentes de moto /motocicleta, acidente automobilístico /carro,  Pós operatório de fraturas, fratura de fêmur, fratura de tíbia, fratura de tíbia, fratura do colo do fêmur, fratura úmero, fratura da ulna, fratura do rádio, fratura tornozelo, Pós operatório prótese de quadril, Pós operatório prótese de joelho, epicondilite medial, epicondilite lateral, síndrome do túnel do carpo.

Fisioterapia respiratória para prevenção e tratamento para doenças como asma, bronquite, insuficiência respiratória, tuberculose, enfisema pulmonar entre outros.

Fisioterapia na terceira idade para quedas, para ganho de equilíbrio, fraqueza muscular, sarcopenia (perda de massa muscular) lesões do acamamento, dores da imobilidade.